quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Restabelecimento da fertilidade conjugal
- Miomas uterinos utilizando mais sofisticadas e adequadas técnicas.
- Endometriose:doença que mais causa dor pélvica e compromete a fertilidade feminina.
- Vídeo-laparoscopia: para terapia de cistos ovarianos, doença pélvica crônica, aderências, obstruções tubárias, endometriose pélvica, gravidez ectópica.
- Vídeo-histeroscopia: endoscopia do útero que serve para diagnosticar e tratar doenças como pólipos uterinos, miomas submucosos, septo intra-uterino, hiperplasia glandular, sangramento uterino anormal, cicatrizes uterinas (sinéquias) pós-curetagem, retirada de DIU, restos de aborto, avaliação da cavidade uterina antes de realizar-se fertilização in vitro, avaliação do útero pós-tratamento cirúrgico.
- Doenças auto-imunes: são doenças genéticas em que o sistema imunológico da própria pessoa ataca o seu organismo. Nestes casos as secreções uterinas contêm um excesso de anticorpos que pode impedir a implantação do pré-embrião.
- Doenças endócrinas: falta de ovulação, hiperprolactinemia, doenças tiroidianas, excesso de hormônios masculinos, síndrome dos ovários policísticos, menopausa precoce.
- Abortamentos recorrentes: várias causas podem ser responsáveis: congênitas, enéticas, infecciosas, doença da coagulação, doenças auto-imunes, úteros mal formados.
- Trombofilias: são doenças que promovem alteração na coagulação sanguínea e resulta em maior risco de trombose. O sucesso gestacional depende de correto diagnóstico e tratamento.
- Diagnóstico do fator masculino: obtido por exame físico especializado e espermograma.
- Tratamento da infertilidade conjugal através das técnicas de reprodução assistida.
REPRODUÇÃO HUMANA ARTIFICIAL
Frente à impossibilidade de restabelecimento da fertilidade conjugal, realizam-se as técnicas de reprodução humana artificial.
- Menor complexidade: Inseminação intra-uterina: consiste na colocação do sêmen preparado dentro do útero da mulher, cuja ovulação foi premeditadamente induzida.
- Maior complexidade: Fertilização invitro e/ou injeção intracitoplasmática de espermatozóide. Neste caso, a fertilização é realizada extra-corporeamente e os pré-embriões são transferidos para o útero.
PRESERVAÇÃO DA FERTILIDADE
As mulheres que pretendem postergar a maternidade para depois dos 35 anos, podem hiperestimular a ovulação e armazenar seus óvulos até o momento em que desejar gestar.
É sabido que óvulos mais idosos são de menor qualidade e, mesmo com ciclos menstruais e dosagens hormonais normais, diminuem a chance espontânea de gravidez, aumentam a taxa de abortamento espontâneo e de mau formações congênitas.
Os homens e mulheres que necessitem de quimioterapia também devem ser aconselhados a guardarem seus gametas em bancos de congelamento.
É sabido que óvulos mais idosos são de menor qualidade e, mesmo com ciclos menstruais e dosagens hormonais normais, diminuem a chance espontânea de gravidez, aumentam a taxa de abortamento espontâneo e de mau formações congênitas.
Os homens e mulheres que necessitem de quimioterapia também devem ser aconselhados a guardarem seus gametas em bancos de congelamento.
HORMONIOTERAPIA
Consistem no tratamento com hormônios pelas mais diversas causas:
-Contracepção;
-Puberdade precoce;
-Controle de miomas, endometriose e adenomiose;
-Aumento da libido controle da TPM;
-Diminuição da cefaléia pré-menstrual e dor mamária;
-Diminuição de cólicas menstruais;
-Terapia hormonal da menopausa;
-Síndrome dos ovários policísticos;
-Preservação da Fertilidade;
A maioria dos casos de hormonioterapia devem ser feito pela forma subdérmica para proteção hepática.
-Contracepção;
-Puberdade precoce;
-Controle de miomas, endometriose e adenomiose;
-Aumento da libido controle da TPM;
-Diminuição da cefaléia pré-menstrual e dor mamária;
-Diminuição de cólicas menstruais;
-Terapia hormonal da menopausa;
-Síndrome dos ovários policísticos;
-Preservação da Fertilidade;
A maioria dos casos de hormonioterapia devem ser feito pela forma subdérmica para proteção hepática.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Infertilidade secundária x idade
Em alguns casos, a infertilidade secundária surge em razão do envelhecimento. Com a idade, a capacidade da mulher de conceber um bebê decresce. “A fertilidade feminina começa a declinar a partir da metade da terceira década de vida, quando os ovários liberam menos óvulos e a qualidade deles vai declinando. Os óvulos envelhecem a cada ano que passa, mais rapidamente do que a mulher. Assim, uma mulher que tenha tido seu primeiro filho por volta dos 34 anos estará muito menos fértil aos 39 anos, quando ela ainda se julga apta a conceber um segundo bebê”, explica o Joji Ueno, responsável do setor de vídeo-histeroscopia ambulatorial do Hospital Sírio Libanês. “A idade também aumenta a chance da mulher desenvolver endometriose e outras desordens que interferem no sucesso da concepção e da gravidez. O risco de abortos espontâneos também aumenta com a idade: a taxa de aborto natural está em torno de 10% para mulheres nos seus 20 anos, 20% para mulheres com idade entre 35 e 39 anos, e cerca de 50% para mulheres com idade entre 40 e 44 anos”, alerta o médico. A fertilidade masculina também diminui com a idade. Na medida em que envelhecem, os homens produzem espermatozóides em menor quantidade e com menos motilidade. Homens em idade mais avançada podem também apresentar problemas para manter a ereção.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Causas da Esterilidade
A esterilidade é uma incapacidade temporária ou definitiva de um casal em conceber após um ano de relações sexuais sem controle contraceptivo voluntário. Para incluir-se um casal num protocolo de cuidados da esterilidade, tal casal deve ter tido uma exposição adequada à gravidez durante um ano.
A esterilidade primária se dá quando o casal não conseguiu uma gravidez e a esterilidade secundária ocorre quando o casal tem antecedentes de uma ou várias gestações, sendo que após um ano de exposição não conseguem conceber. A esterilidade primária significa nunca ter havido concepção. Para os anglo-saxões esta situação recebe o nome de infertilidade primária. Caso exista o antecedente de uma gravidez, a esterilidade será secundária e corresponderá ao término da infertilidade secundária na denominação anglo-saxã.
Talvez o estudo mais completo das causas desta patologia seja o que foi realizado pela OMS na década de 80, em 33 centros de 25 países diferentes (desenvolvidos e em desenvolvimento), abrangendo 5.800 casais inférteis. Chegaram a várias conclusões, algumas das quais são citadas a seguir.
Dentre os fatores avaliados no estudo do casal infértil inclui-se:
a) Na mulher:
1. Fator cervical
2. Fator uterino corporal
3. Fator tubo-peritoneal
4. Fator ovariano (endócrino)
b) No homem:
5. Fator masculino
c) Em ambos:
6. Fatores associados ao coito
1 - Fator Cervical
Investiga mudanças anatômicas e de posição do cérvix, as características do muco, a permeabilidade à passagem do esperma e alterações do mecanismo de migração espermática. Avalia-se mediante exame ginecológico, estudo do muco cervical e provas funcionais "in vivo" (pós-coito ou de Sims Huhner) ou "in vitro" (Kremer ou prova de muco-sêmem). O estudo de muco cervical (cristalização, consistência, etc) é efetuado antes ou durante a ovulação.
O teste pós-coito avalia as modificações que ocorrem no contato do sêmem com o muco cervical e o grau de penetrabilidade do espermatozóide.
2 - Fator Uterino Corporal
O útero é fundamental para a reprodução porque deste órgão dependem o transporte espermático, a implantação do feto, seu desenvolvimento e o parto. O espermatozóide avança tanto pela sua mobilidade intrínseca quanto pelo impulso que obtém das contrações uterinas, que obedecem ao orgasmo e às prostaglandinas presentes no líquido seminal e que são absorvidos a partir da vagina. O líquido seminal, em contato com o endométrio, sofre mudanças que favorecem e o habilitam para a fecundação e o trânsito para o oviduto.
A implantação não ocorre se não houver um endométrio preparado pelos estrógenos e pela progesterona até um certo grau de maturação que permita a nidação. A presença de alterações anatômicas uterinas pode ser causa de aborto repetido ou esterilidade.
O fator uterino-corporal é estudado mediante o exame ginecológico, histerometria, biópsia de endométrio, ecografia, histerografia, histerossonografia, laparoscopia e histeroscopia.
3 - Fator Tubo-Peritoneal
O papel do oviduto não se resume ao de um simples local de trânsito para o óvulo e espermatozóide. Sua participação no transporte dos gametas é ativa, da mesma forma que na nutrição e desenvolvimento do embrião nos primeiros dias.
Uma análise avaliaria desde o espaço tubo-ovárico, a trompa, a passagem, a mobilidade das fimbrias, o pavilhão e a trompa, investigando também alterações que dificultem a capacidade de ovulação.
Pode-se realizar esta exploração por meio de radiologia (histerosalpingografia com contraste) ou cirurgia. A laparoscopia tem mostrado-se o método mais seguro para avaliar a anatomia do oviduto, permitindo-nos observar diretamente o fluxo de azul de metileno pela cavidade peritoneal logo em seguida após ser injetado pelo orifício cervical (laparoscopia e cromotubação). Ainda que a histerosalpingografia mostre a luz das trompas, não existe método que avalie as condições da mucosa tubária. Os procedimentos são complementares e seqüenciais na análise do oviduto e do espaço tudo-ovárico.
A endometriose e as aderências peri-tubáricas só podem ser diagnosticadas pela endoscopia. A histerossonografia é um novo aporte ao estudo da permeabilidade tubária.
O estudo da OMS demonstrou que os diagnósticos relacionados com infecção e oclusão tubária bilateral eram fatores realmente importantes entre as pacientes com infertilidade no mundo inteiro. Em até 64% das pacientes africanas e 28 a 35% das pacientes de outras regiões do mundo a infertilidade pode ser atribuída a uma história de infecção prévia como doença inflamatória pélvica (DIP), doença sexualmente transmissível e complicações infecciosas no aborto, gravidez ou parto normal.
Anteriormente, Westrom, na Suécia, havia descoberto que a infertilidade, depois de uma DIP, desenvolvia-se em 6 a 60% das pacientes de acordo com a gravidade da infecção, o número de infecções e a idade no momento da infecção inicial. Os estudos subseqüentes contribuíram de maneira crescente e contínua no aumento da importância da infecção como causa de infertilidade. Segundo Cates et Alli, do CDC dos Estados Unidos, diante de um único episódio de DIP, cerca de 12% das pacientes apresentará infertilidade, após 2 episódios, 25% será infértil e depois de 3 ou mais episódios, mais de 50% apresentará este problema.
A infecção pélvica não está relacionada apenas com a infertilidade. Também há relação com a gravidez ectópica, relação esta que tem sido provada concludentemente cada vez mais. As lesões como aderências pélvicas ou sub-oclusão tubária podem permitir a fecundação, mas impedem o progresso do embrião pela cavidade uterina ficando este preso no oviduto.
É importante estudar a relação existente entre a infecção pélvica, a gravidez ectópica e a infertilidade, uma vez que a OMS estima que a taxa de infertilidade é de 50% para as pacientes depois da gravidez ectópica e 10% destas pacientes após apresentarem este quadro voltaram a apresentá-lo posteriormente.
O lamentável neste fato é que a esterilidade de origem infecciosa é totalmente passível de prevenção.
4 - Fator Endócrino Ovariano
30% das mulheres estéreis apresentam transtornos na ovulação. Estas alterações constituem um quadro complexo que foi classificado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) da seguinte maneira:
Grupo I. Falha do eixo hipotálamo-hipófise, pacientes com amenorréia e baixa produção de estrógenos, com valores de FSH e prolactina normais ou baixos e sem lesões evidentes na área do hipotálamo-hipófise.
Grupo II. Alteração hipotálamo-hipófise em pacientes com diversos transtornos do ciclo ovário que incluem insuficiência lútea, falta de ovulação e amenorréia com baixa produção de estrógenos e FSH normal ou baixa.
Grupo III. Paciente com falha ovariana primária ou secundária.
Grupo IV. Pacientes nas quais não se consegue induzir desenvolvimento endometrial mediante a administração de estrógenos e progesterona.
Grupo V. Pacientes com hiperprolactinemia e evidência de lesão na área do hipotálamo-hipófise comprometendo a função de órgãos adjacentes.
Grupo VI. Pacientes com hiperprolactinemia sem lesão evidente na área do hipotálamo-hipófise.
Grupo VII. Mulheres com amenorréia e lesão evidente na área do hipotálamo-hipófise e valores normais ou baixos de gonadotrofinas, prolactina e estrógenos.
Recentemente, investigou-se a importância do período da foliculogênese para o desenvolvimento do corpo lúteo assim como o papel dos andrógenos no processo de atresia do mesmo. Ainda não foi possível estudar o interior do folículo nem a seqüência de mudanças hormonais devido ao fato de que a avaliação do fator ovariano é realizada de acordo com a presença ou não de ovulação e a formação de um corpo lúteo com tempo normal de secreção e níveis hormonais adequados.
Os únicos parâmetros seguros para a ovulação são a gravidez ou a recuperação do óvulo no oviduto.
Os métodos em uso atualmente são indiretos e muitos deles perderam bastante da antiga confiabilidade devido à incorporação das ultra-sonografias e das modernas técnicas de determinação hormonal, por meio de radio-imunoanálise, muito mais exatas e seguras.
São elas:
O gráfico de temperatura basal (curva bifásica);
A observação do muco cervical (aumento da quantidade, consistência, cristalização anterior à ovulação com decréscimo destes parâmetros após a liberação ovular);
Biópsia de endométrio (com modificações secretoras para a fase lútea):
Determinações de laboratório: LH com pico máximo na metade do ciclo e ovulação 24 horas após; progesterona plasmática com valores de 3ng/ml no dia 22-24 do ciclo, como indicadores de ovulação. Observação direta através de laparoscopia.
5 - Factor Masculino
Avalia a capacidade de fertilização masculina e seu grau de normalidade. Inclui, além do histórico e do exame andrológico, testes de laboratório e análise de sêmem.
O espermograma informa sobre o volume ejaculado, contagem espermática, mobilidade, morfologia, quantificação de células redondas, bioquímica do plasma seminal e presença ou ausência de processos infecciosos.
A coleta é feita diretamente num frasco de boca larga por meio de masturbação após período de abstinência de 2 ou 3 dias. O material deve ser observado num prazo de duas horas após a coleta.
Outros exames complementares incluem bacteriologia, cultura, imunologia, estudo genético, radiologia das vias espermáticas e biópsia testicular.
6 - Fatores Relacionados ao Coito
Investiga a dinâmica da relação sexual no tocante à técnica de copulação correta e ao depósito de sêmem na cavidade do colo uterino. Exige do homem um desenvolvimento normal do pênis, ereção adequada e ejaculação na vagina oportunamente. Na mulher são necessários um aparelho genital harmonicamente desenvolvido, relaxamento e capacidade de recepção durante o coito.
Este fator é estudado através de interrogatório, exame clínico-ginecológico e teste de inseminação pós-coito que revelaria espermatozóides na cavidade vaginal.
6. Fatores associados ao coito
1 - Fator Cervical
Investiga mudanças anatômicas e de posição do cérvix, as características do muco, a permeabilidade à passagem do esperma e alterações do mecanismo de migração espermática. Avalia-se mediante exame ginecológico, estudo do muco cervical e provas funcionais "in vivo" (pós-coito ou de Sims Huhner) ou "in vitro" (Kremer ou prova de muco-sêmem). O estudo de muco cervical (cristalização, consistência, etc) é efetuado antes ou durante a ovulação.
O teste pós-coito avalia as modificações que ocorrem no contato do sêmem com o muco cervical e o grau de penetrabilidade do espermatozóide.
2 - Fator Uterino Corporal
O útero é fundamental para a reprodução porque deste órgão dependem o transporte espermático, a implantação do feto, seu desenvolvimento e o parto. O espermatozóide avança tanto pela sua mobilidade intrínseca quanto pelo impulso que obtém das contrações uterinas, que obedecem ao orgasmo e às prostaglandinas presentes no líquido seminal e que são absorvidos a partir da vagina. O líquido seminal, em contato com o endométrio, sofre mudanças que favorecem e o habilitam para a fecundação e o trânsito para o oviduto.
A implantação não ocorre se não houver um endométrio preparado pelos estrógenos e pela progesterona até um certo grau de maturação que permita a nidação. A presença de alterações anatômicas uterinas pode ser causa de aborto repetido ou esterilidade.
O fator uterino-corporal é estudado mediante o exame ginecológico, histerometria, biópsia de endométrio, ecografia, histerografia, histerossonografia, laparoscopia e histeroscopia.
3 - Fator Tubo-Peritoneal
O papel do oviduto não se resume ao de um simples local de trânsito para o óvulo e espermatozóide. Sua participação no transporte dos gametas é ativa, da mesma forma que na nutrição e desenvolvimento do embrião nos primeiros dias.
Uma análise avaliaria desde o espaço tubo-ovárico, a trompa, a passagem, a mobilidade das fimbrias, o pavilhão e a trompa, investigando também alterações que dificultem a capacidade de ovulação.
Pode-se realizar esta exploração por meio de radiologia (histerosalpingografia com contraste) ou cirurgia. A laparoscopia tem mostrado-se o método mais seguro para avaliar a anatomia do oviduto, permitindo-nos observar diretamente o fluxo de azul de metileno pela cavidade peritoneal logo em seguida após ser injetado pelo orifício cervical (laparoscopia e cromotubação). Ainda que a histerosalpingografia mostre a luz das trompas, não existe método que avalie as condições da mucosa tubária. Os procedimentos são complementares e seqüenciais na análise do oviduto e do espaço tudo-ovárico.
A endometriose e as aderências peri-tubáricas só podem ser diagnosticadas pela endoscopia. A histerossonografia é um novo aporte ao estudo da permeabilidade tubária.
O estudo da OMS demonstrou que os diagnósticos relacionados com infecção e oclusão tubária bilateral eram fatores realmente importantes entre as pacientes com infertilidade no mundo inteiro. Em até 64% das pacientes africanas e 28 a 35% das pacientes de outras regiões do mundo a infertilidade pode ser atribuída a uma história de infecção prévia como doença inflamatória pélvica (DIP), doença sexualmente transmissível e complicações infecciosas no aborto, gravidez ou parto normal.
Anteriormente, Westrom, na Suécia, havia descoberto que a infertilidade, depois de uma DIP, desenvolvia-se em 6 a 60% das pacientes de acordo com a gravidade da infecção, o número de infecções e a idade no momento da infecção inicial. Os estudos subseqüentes contribuíram de maneira crescente e contínua no aumento da importância da infecção como causa de infertilidade. Segundo Cates et Alli, do CDC dos Estados Unidos, diante de um único episódio de DIP, cerca de 12% das pacientes apresentará infertilidade, após 2 episódios, 25% será infértil e depois de 3 ou mais episódios, mais de 50% apresentará este problema.
A infecção pélvica não está relacionada apenas com a infertilidade. Também há relação com a gravidez ectópica, relação esta que tem sido provada concludentemente cada vez mais. As lesões como aderências pélvicas ou sub-oclusão tubária podem permitir a fecundação, mas impedem o progresso do embrião pela cavidade uterina ficando este preso no oviduto.
É importante estudar a relação existente entre a infecção pélvica, a gravidez ectópica e a infertilidade, uma vez que a OMS estima que a taxa de infertilidade é de 50% para as pacientes depois da gravidez ectópica e 10% destas pacientes após apresentarem este quadro voltaram a apresentá-lo posteriormente.
O lamentável neste fato é que a esterilidade de origem infecciosa é totalmente passível de prevenção.
4 - Fator Endócrino Ovariano
30% das mulheres estéreis apresentam transtornos na ovulação. Estas alterações constituem um quadro complexo que foi classificado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) da seguinte maneira:
Grupo I. Falha do eixo hipotálamo-hipófise, pacientes com amenorréia e baixa produção de estrógenos, com valores de FSH e prolactina normais ou baixos e sem lesões evidentes na área do hipotálamo-hipófise.
Grupo II. Alteração hipotálamo-hipófise em pacientes com diversos transtornos do ciclo ovário que incluem insuficiência lútea, falta de ovulação e amenorréia com baixa produção de estrógenos e FSH normal ou baixa.
Grupo III. Paciente com falha ovariana primária ou secundária.
Grupo IV. Pacientes nas quais não se consegue induzir desenvolvimento endometrial mediante a administração de estrógenos e progesterona.
Grupo V. Pacientes com hiperprolactinemia e evidência de lesão na área do hipotálamo-hipófise comprometendo a função de órgãos adjacentes.
Grupo VI. Pacientes com hiperprolactinemia sem lesão evidente na área do hipotálamo-hipófise.
Grupo VII. Mulheres com amenorréia e lesão evidente na área do hipotálamo-hipófise e valores normais ou baixos de gonadotrofinas, prolactina e estrógenos.
Recentemente, investigou-se a importância do período da foliculogênese para o desenvolvimento do corpo lúteo assim como o papel dos andrógenos no processo de atresia do mesmo. Ainda não foi possível estudar o interior do folículo nem a seqüência de mudanças hormonais devido ao fato de que a avaliação do fator ovariano é realizada de acordo com a presença ou não de ovulação e a formação de um corpo lúteo com tempo normal de secreção e níveis hormonais adequados.
Os únicos parâmetros seguros para a ovulação são a gravidez ou a recuperação do óvulo no oviduto.
Os métodos em uso atualmente são indiretos e muitos deles perderam bastante da antiga confiabilidade devido à incorporação das ultra-sonografias e das modernas técnicas de determinação hormonal, por meio de radio-imunoanálise, muito mais exatas e seguras.
São elas:
O gráfico de temperatura basal (curva bifásica);
A observação do muco cervical (aumento da quantidade, consistência, cristalização anterior à ovulação com decréscimo destes parâmetros após a liberação ovular);
Biópsia de endométrio (com modificações secretoras para a fase lútea):
Determinações de laboratório: LH com pico máximo na metade do ciclo e ovulação 24 horas após; progesterona plasmática com valores de 3ng/ml no dia 22-24 do ciclo, como indicadores de ovulação. Observação direta através de laparoscopia.
5 - Factor Masculino
Avalia a capacidade de fertilização masculina e seu grau de normalidade. Inclui, além do histórico e do exame andrológico, testes de laboratório e análise de sêmem.
O espermograma informa sobre o volume ejaculado, contagem espermática, mobilidade, morfologia, quantificação de células redondas, bioquímica do plasma seminal e presença ou ausência de processos infecciosos.
A coleta é feita diretamente num frasco de boca larga por meio de masturbação após período de abstinência de 2 ou 3 dias. O material deve ser observado num prazo de duas horas após a coleta.
Outros exames complementares incluem bacteriologia, cultura, imunologia, estudo genético, radiologia das vias espermáticas e biópsia testicular.
6 - Fatores Relacionados ao Coito
Investiga a dinâmica da relação sexual no tocante à técnica de copulação correta e ao depósito de sêmem na cavidade do colo uterino. Exige do homem um desenvolvimento normal do pênis, ereção adequada e ejaculação na vagina oportunamente. Na mulher são necessários um aparelho genital harmonicamente desenvolvido, relaxamento e capacidade de recepção durante o coito.
Este fator é estudado através de interrogatório, exame clínico-ginecológico e teste de inseminação pós-coito que revelaria espermatozóides na cavidade vaginal.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
A Infertilidade conjugal. Uma nova realidade
Vivemos numa sociedade em plena mutação de valores e de hábitos. Atualmente o casamento e a gestação de um filho passam a ser coisas que podem ser pensadas separadamente, denunciando uma nova ordem social e moral onde os valores são questionados o tempo todo e tornaram-se mais flexíveis.A mulher originalmente educada a casar e constituir família como prioridade, incluiu em sua vida outros objetivos, ampliando seus horizontes. O sucesso profissional e a independência financeira não são mais atributos, ou necessidades apenas masculinas. Somadas a essas mudanças sociais, a maturidade, um importante atributo da evolução emocional, estimula que os casamentos, ou as propostas de uniões estáveis, sejam cada vez mais planejados e, consequentemente, realizados mais tarde.
Pensar mais sobre os próprios interesses e objetivos tornou a gravidez um ato mais cuidadoso, assumindo claramente um caráter de escolha, agora não mais apenas para o homem, mas também para a mulher.
Como tudo que podemos escolher, a decisão de ter ou não um filho torna-se um, entre tantos outros objetivos a serem alcançados, e sua prioridade depende das características pessoais de cada homem e cada mulher. A mulher, redimensionada em seu papel social, revê suas necessidades e possibilidades postergando esta escolha.
A questão subliminar é que fomos educados para sermos férteis. Nossa sociedade não está preparada para a possibilidade de infertilidade, simplesmente porque a idéia era improvável para uniões de jovens casais. Portanto, neste panorama, a infertilidade surge para muitos como uma surpresa, um pesadelo nunca antes imaginado.
Com o passar da idade biologicamente mais fértil, as possibilidades naturalmente diminuem e as chances caem a cada ano. Somam-se a essas dificuldades os problemas de infertilidade que podem variar muito entre homens e mulheres.
Deparamo-nos com uma nova realidade e novas frustrações.
Os tratamentos para infertilidade são muitos hoje em dia e se relacionam à medicação diária específica, controle rigoroso do ciclo menstrual e acompanhamento médico entre outros. Trata-se de um processo dispendioso, não só financeiramente falando, mas emocionalmente também.
O aspecto emocional se relaciona a altos e baixos protagonizados por uma gangorra de esperanças e frustrações. A espera, a dúvida e o medo que assolam durante a incerteza do resultado e as fantasias que aparecem, tornam o processo mais penoso. Um furacão de questionamentos surge em meio à angústia de uma nova decepção. Muitas vezes a relação conjugal se abala, causando brigas e separações. Existem casais que não conseguem superar todo tipo de acusações mútuas que surgem, principalmente quando são veladas.
Então, como lidar com tudo isso?
Acima de tudo é essencial que exista um desejo muito forte de ambas as partes em gerar um filho, e que seja uma escolha clara e consciente. É importante se informar sobre o processo e sobre as próprias possibilidades e chances de sucesso.
É fundamental que o casal esteja assessorado por um Esterileuta - nome dado ao médico especialista no tratamento de infertilidade - e por um psicólogo especialista no tratamento de pessoas com esse problema.
O suporte emocional neste momento não é algo descartável ou menos importante, como alguns podem pensar, pois quando falamos de fertilidade estamos nos referindo à visão de si mesmo que construímos durante toda uma vida e que de repente simplesmente cai por terra, trazendo um forte sentimento de impotência e insegurança.
Da mesma forma a visão do outro, daquele que você ama, também se modifica, porque muitas vezes o problema é desconhecido até então.
É importante que o casal esteja muito consciente e decidido sobre a importância e a delicadeza desse processo para que possa superar junto as dificuldades.
A ciência conhece ainda muito pouco, mas já o bastante para trazer essa alegria, esse milagre da vida até aqueles que já se encontravam sem esperança.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Segundo a European Society of Human Reproduction and Embriology (E.S.H.R.E.) a definição geral de infertilidade é a diminuição da capacidade de conceber em relação à população geral.
Especialistas revelam que a infertilidade conjugal é uma situação que atinge cerca de 15 a 20% de todos os casais em idade reprodutiva. Para se ter dimensão do problema, isso significa que um a cada 5 ou 6 casais vai ter dificuldade para engravidar. Mas atualmente é possível reverter vários destes casos com os recursos avançados disponíveis nos Centros de Reprodução Humana.
O especialista em Reprodução Humana do Hospital e Maternidade Santa Joana dr. José Geraldo Caldeira relata que grande parte dos casais ainda chega com muitas dúvidas sobre infertilidade no consultório e esclarece os principais mitos:
Tratamentos contra infertilidade sempre geram gêmeos?
Mito. A taxa de gemelares acontece em 20% dos casos.
Mito. A taxa de gemelares acontece em 20% dos casos.
Mulher com útero invertido tem mais dificuldade para engravidar?
Mito. Não se trata de uma anormalidade, mas sim uma característica natural, já que a grande maioria das mulheres não apresenta sintoma/problema algum., o que ajuda muito nessa situação, é a orientação do ginecologista para adotar mudanças de posição após as relações com o objetivo de evitar perda do semem , o que pode reduzir as chances de engravidar.
Mito. Não se trata de uma anormalidade, mas sim uma característica natural, já que a grande maioria das mulheres não apresenta sintoma/problema algum., o que ajuda muito nessa situação, é a orientação do ginecologista para adotar mudanças de posição após as relações com o objetivo de evitar perda do semem , o que pode reduzir as chances de engravidar.
Existem casos em que mesmo com os tratamentos adequados a mulher não consegue engravidar?
Verdade. Pesquisas mostram que 10% dos casos de infertilidade são indeterminadas e em alguns casos, não é possível gerar um bebê.
Verdade. Pesquisas mostram que 10% dos casos de infertilidade são indeterminadas e em alguns casos, não é possível gerar um bebê.
O uso de pílula anticoncepcional por tempo prolongado pode causar infertilidade?
Mito. Não importa o tempo que a mulher use a pílula, isso não interfere no processo. O que pode acontecer é o disfarce de um problema pré-estabelecido. Em alguns casos a pílula anticoncepcional pode até ajudar na prevenção do surgimento da endometriose e de cistos nos ovários.
Mito. Não importa o tempo que a mulher use a pílula, isso não interfere no processo. O que pode acontecer é o disfarce de um problema pré-estabelecido. Em alguns casos a pílula anticoncepcional pode até ajudar na prevenção do surgimento da endometriose e de cistos nos ovários.
Relações sexuais nos dias da ovulação resultam sempre em gestação?
Mito. Mesmo se o casal tiver relações sexuais todos os dias, durante um mês, incluindo o período fértil, apenas 20% das mulheres irão engravidar. Por outro lado, muitas vezes, uma única relação, no mês, pode resultar em gravidez, principalmente no caso das mulheres mais jovens.
Mito. Mesmo se o casal tiver relações sexuais todos os dias, durante um mês, incluindo o período fértil, apenas 20% das mulheres irão engravidar. Por outro lado, muitas vezes, uma única relação, no mês, pode resultar em gravidez, principalmente no caso das mulheres mais jovens.
É preciso ter os dois ovários e as duas trompas para engravidar?
Mito. É possível engravidar com apenas um ovário e uma trompa.
Mito. É possível engravidar com apenas um ovário e uma trompa.
Mulheres atletas, que se exercitam demais, podem ter maior dificuldade de engravidar?
Verdade. Atletas de alta performance que praticam exercícios extenuantes, como corridas de longa distância, podem resultar no que se chama de amenorréia, ou ausência de períodos menstruais. Isso ocorre quando o nível de gordura do corpo cai a níveis inferiores aqueles necessários para ajudar na ovulação. Há aquelas que, mesmo com rotina de superatletas, continuam a ter a menstruação regularmente. A experiência aconselha, de todo modo, que as mulheres empenhadas em engravidar devam reduzir seus exercícios para níveis mais moderados.
Verdade. Atletas de alta performance que praticam exercícios extenuantes, como corridas de longa distância, podem resultar no que se chama de amenorréia, ou ausência de períodos menstruais. Isso ocorre quando o nível de gordura do corpo cai a níveis inferiores aqueles necessários para ajudar na ovulação. Há aquelas que, mesmo com rotina de superatletas, continuam a ter a menstruação regularmente. A experiência aconselha, de todo modo, que as mulheres empenhadas em engravidar devam reduzir seus exercícios para níveis mais moderados.
Mulheres que possuem ovário policístico não conseguem engravidar?
Mito. As mulheres com ovário policístico não ovulam todo mês (têm dificuldade de ovulação), por isso é mais difícil engravidar. No entanto, não é impossível como essa disfunção está ligada ao metabolismo, o médico sugere que as mulheres com esse problema tentem ajustar seu peso com dietas e práticas de exercícios físicos. Existe ainda a opção por medicamento.
Mito. As mulheres com ovário policístico não ovulam todo mês (têm dificuldade de ovulação), por isso é mais difícil engravidar. No entanto, não é impossível como essa disfunção está ligada ao metabolismo, o médico sugere que as mulheres com esse problema tentem ajustar seu peso com dietas e práticas de exercícios físicos. Existe ainda a opção por medicamento.
Durante o tratamento contra a infertilidade, sexo deve ser evitado ou controlado?
Falso. O contato íntimo entre o casal está liberado, levar uma vida afetiva normal ajuda a relaxar e alcançar com maior tranqüilidade o objetivo da maternidade. O sexo deve ser suspenso apenas caso o médico prescreva formalmente.
Falso. O contato íntimo entre o casal está liberado, levar uma vida afetiva normal ajuda a relaxar e alcançar com maior tranqüilidade o objetivo da maternidade. O sexo deve ser suspenso apenas caso o médico prescreva formalmente.
Mulheres com idade avançada têm mais dificuldade para engravidar?
Verdade. Há um aumento na probabilidade de síndromes genéticas como por exemplo, Síndrome de Down. Chegada aos 37 anos a mulher inicia uma nova etapa cronológica em sua vida e a produção da quantidade e qualidade dos óvulos cai. Por isso, diminuem as taxas de gravidez e aumentam a ocorrência de abortos. Mulheres com idade acima da citada devem tentar engravidar por um pouco mais de tempo que as mais jovens, por volta de 1 ano e 6 meses, caso isso não ocorra espontaneamente é recomendável que a mulher procure um Centro de Reprodução Humana para realizar uma investigação mais detalhada.
Verdade. Há um aumento na probabilidade de síndromes genéticas como por exemplo, Síndrome de Down. Chegada aos 37 anos a mulher inicia uma nova etapa cronológica em sua vida e a produção da quantidade e qualidade dos óvulos cai. Por isso, diminuem as taxas de gravidez e aumentam a ocorrência de abortos. Mulheres com idade acima da citada devem tentar engravidar por um pouco mais de tempo que as mais jovens, por volta de 1 ano e 6 meses, caso isso não ocorra espontaneamente é recomendável que a mulher procure um Centro de Reprodução Humana para realizar uma investigação mais detalhada.
A mulher que provoca um aborto pode reduzir as chances de engravidar novamente?
Depende. Mito: se o aborto for realizado em condição de higiene e segurança com a presença de profissionais qualificados ele não provocará outros desdobramentos. Abortos espontâneos com até 10 semanas de gestação não apresentam risco à mulher, já que a anatomia do útero permanece completa. Verdade: se o aborto for realizado em condições de risco, tal ação pode deixar sequelas como por exemplo: lesões nas trompas, aderência das paredes do útero e infecções.
Depende. Mito: se o aborto for realizado em condição de higiene e segurança com a presença de profissionais qualificados ele não provocará outros desdobramentos. Abortos espontâneos com até 10 semanas de gestação não apresentam risco à mulher, já que a anatomia do útero permanece completa. Verdade: se o aborto for realizado em condições de risco, tal ação pode deixar sequelas como por exemplo: lesões nas trompas, aderência das paredes do útero e infecções.
O uso de pílula anticoncepcional por tempo prolongado pode causar infertilidade?
Mito. Não importa o tempo que a mulher use a pílula isso não interfere no processo. O que pode acontecer é o disfarce de um problema pré-estabelecido. Em alguns casos a pílula anticoncepcional pode até ajudar na prevenção do surgimento da endometriose e de cistos nos ovários.
Mito. Não importa o tempo que a mulher use a pílula isso não interfere no processo. O que pode acontecer é o disfarce de um problema pré-estabelecido. Em alguns casos a pílula anticoncepcional pode até ajudar na prevenção do surgimento da endometriose e de cistos nos ovários.
O uso de “pílula do dia seguinte” pode interferir na fertilidade feminina?
Mito. A pílula do dia seguinte não é 100% eficaz e a gravidez pode ocorrer mesmo após o seu uso. Vale ressaltar que essa pílula é uma boa ferramenta apenas em caso de emergências.
Mito. A pílula do dia seguinte não é 100% eficaz e a gravidez pode ocorrer mesmo após o seu uso. Vale ressaltar que essa pílula é uma boa ferramenta apenas em caso de emergências.
novas tecnologias reprodutivas como desafio de pesquisa no Brasil 1,2,3,4,5,6,7. Como nenhuma outra tecnologia reprodutiva, as técnicas conceptivas provocam valores fundamentais de nosso ordenamento social ao medicalizar o desejo por filhos. O livro Provetas e Clones: Uma Antropologia das Novas Tecnologias Reprodutivas, fruto da tese de Doutorado de Naara Luna, é a publicação mais recente na interface da Antropologia e da Saúde Pública. A questão de pesquisa de Luna foi eminentemente antropológica – o impacto das tecnologias reprodutivas nas concepções de parentesco e pessoa – mas seus dados de campo extrapolam a Antropologia e tocam em questões fundamentais à Saúde Pública, como o direito à saúde, o estatuto do embrião e a medicalização da reprodução.
Uma das principais novidades da obra é a riqueza etnográfica da pesquisa realizada em três centros públicos brasileiros. São poucos os hospitais públicos com oferta de serviços de tecnologias reprodutivas no país, e Luna coletou seus dados nos principais centros brasileiros. O início da obra descreve os desafios da negociação para a entrada no campo, um tema recorrente às etnografias brasileiras e internacionais na interface do segredo e das questões reprodutivas. No entanto, Luna enfrentou um desafio adicional: seu projeto de pesquisa, uma etnografia da infertilidade, foi entendido como relativo à área temática especial, ou seja, exigiu-se que a pesquisadora não apenas submetesse seu projeto aos comitês de ética em pesquisa de cada hospital, mas também que fosse avaliado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP). Esse é um dado da pesquisa que não deve ser menosprezado, pois aponta para dois fenômenos do sistema brasileiro de revisão ética: (i) a pouca compreensão da regulamentação em vigor, em especial da Resolução 196/1996 do Conselho Nacional de Saúde e (ii) a inadequação das diretrizes éticas às pesquisas sociais com metodologias qualitativas, em especial as pesquisas etnográficas.
A pergunta de pesquisa de Luna é clara e busca entender "de que modo essas tecnologias incidem sobre o processo de formação do parentesco" (p. 21). Para respondê-la, a autora faz um longo percurso argumentativo, ora histórico, ora de revisão etnográfica comparada. Por ser uma tarefa ambiciosa em diferentes campos temáticos e conceituais, há capítulos que escapam à pergunta inicial da obra, permitindo digressões pela Teologia, História e Filosofia, certamente uma característica da peça argumentativa que originou a obra – a tese de doutoramento da autora. No entanto, o original da argumentação de Luna é sua aproximação etnográfica, em especial pela apresentação das vozes das mulheres que desafiam a própria capacidade de compreensão da autora e de quem as lê. Foram feitas entrevistas com mulheres e profissionais biomédicos dos serviços e, em vários momentos, a autora contrasta a compreensão destes dois grupos sobre o mesmo fenômeno. Há, todavia, um especial apreço de Luna pelas vozes das mulheres em detrimento das dos profissionais.
Uma experiência comum a todas as etnógrafas do segredo é entender porque as mulheres aceitam contar suas histórias. Luna se faz essa pergunta e aposta na hipótese de que há uma catarse confessional das mulheres no ato de ser ouvida. O convite à pesquisa etnográfica, cuja técnica central é a entrevista aberta, seria um ato de cuidado às mulheres. É preciso lembrar que a infertilidade é um tema tabu não apenas no Brasil, mas em inúmeras sociedades complexas e tradicionais onde o tema da infertilidade já foi investigado 8,9. No caso das mulheres entrevistadas por Luna, são mulheres com uma longa trajetória de medicalização da infecundidade: regra geral, a chegada aos centros públicos de referência representa a última chance de reversão da condição de infecundidade involuntária.
É preciso fazer uma diferença entre o diagnóstico médico de infertilidade e a condição sociológica de infecundidade involuntária. Muitas mulheres que buscam o auxílio das tecnologias reprodutivas para ter filhos não possuem doenças ou ao menos não há diagnóstico médico para a ausência de filhos. Há casos em que a doença está em seus companheiros, mas é no corpo das mulheres que a medicalização se expressa. Para a ausência involuntária de filhos sem causa médica de infertilidade há outras alternativas disponíveis antes da medicalização intensa do corpo da mulher: desde a adoção de crianças à substituição do companheiro no projeto reprodutivo. No entanto, essas são alternativas desconsideradas pelas mulheres e profissionais biomédicos entrevistados por Luna. É preciso, no entanto, ter clareza de porque essas mulheres rejeitam outros projetos de filiação que não a reprodução biológica.
Luna tem pretensões de descortinar valores compartilhados sobre parentesco e filiação na sociedade brasileira por meio da pesquisa sobre tecnologias reprodutivas. Certamente a pesquisa com usuárias das tecnologias reprodutivas é uma estratégia eficaz, no entanto, há um viés importante na amostra das participantes da pesquisa. Todas são mulheres intensamente engajadas no projeto de reprodução biológica, ou seja, mulheres cujo sentido da maternidade está na expectativa de vinculação biológica com seus futuros filhos. Assim como outras etnógrafas da infertilidade, Luna não conseguiu ter acesso às mulheres que abandonaram o tratamento ou que jamais o buscaram para realizar o desejo por filhos. O mesmo pode ser dito dos profissionais entrevistados: todos estão comprometidos com a reprodução biológica e apostam na medicalização do desejo por filhos. Ou seja, é importante relativizar em que momento da trajetória reprodutiva das mulheres o encontro etnográfico ocorreu. Suas opiniões sobre o sentido da maternidade, sobre a importância da filiação biológica, ou mesmo sobre o estatuto do embrião e a rejeição ao aborto representam o momento máximo de aposta na maternidade biológica. Um desdobramento possível da pesquisa etnográfica seria entrevistar novamente essas mulheres em outro momento de suas trajetórias reprodutivas.
Há temas que ainda resistem à pesquisa etnográfica no campo das tecnologias reprodutivas. O primeiro deles, e logo no início da obra reconhecido pela autora como uma ausência de pesquisa, são as histórias das mulheres que desistiram do tratamento ou que nunca o procuraram para resolver a condição de infecundidade involuntária. O segundo é conhecer as experiências masculinas na infertilidade. Ainda não sabemos como os homens se comportam ou vivenciam a experiência de ausência involuntária de filhos. Essa, na verdade, caracteriza uma lacuna internacional nos estudos sobre tecnologias reprodutivas: em geral são mulheres pesquisando mulheres. E, por fim, um tema que salta aos olhos nos hospitais públicos pesquisados por Luna e que desafia a compreensão do acesso às tecnologias reprodutivas como uma expressão do direito constitucional à saúde, é porque somente as mulheres em situação de conjugalidade heterossexual podem ter acesso às tecnologias. Nenhum dos hospitais autorizava que mulheres sozinhas ou lésbicas tivessem acesso às tecnologias reprodutivas, uma restrição que acaba por garantir a presença masculina no projeto reprodutivo das mulheres.
Se, de fato, as tecnologias reprodutivas representam uma revolução no campo reprodutivo, esta revolução não deve ser simplesmente tecnológica ao permitir a geração de embriões fora do corpo da mulher. A verdadeira revolução, a que subverterá os padrões hegemônicos de parentesco e filiação, deverá reconhecer a legitimidade do desejo por filhos para todas as mulheres e homens em idade reprodutiva. O desejo por filhos não é exclusivo de homens e mulheres heterossexuais em relações afetivas estáveis, como propõe um dos centros públicos pesquisados por Luna. Sendo verdadeiramente uma extensão do direito à saúde, esse deve ser um serviço acessível a todas as pessoas que desejam filhos.
Uma das principais novidades da obra é a riqueza etnográfica da pesquisa realizada em três centros públicos brasileiros. São poucos os hospitais públicos com oferta de serviços de tecnologias reprodutivas no país, e Luna coletou seus dados nos principais centros brasileiros. O início da obra descreve os desafios da negociação para a entrada no campo, um tema recorrente às etnografias brasileiras e internacionais na interface do segredo e das questões reprodutivas. No entanto, Luna enfrentou um desafio adicional: seu projeto de pesquisa, uma etnografia da infertilidade, foi entendido como relativo à área temática especial, ou seja, exigiu-se que a pesquisadora não apenas submetesse seu projeto aos comitês de ética em pesquisa de cada hospital, mas também que fosse avaliado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP). Esse é um dado da pesquisa que não deve ser menosprezado, pois aponta para dois fenômenos do sistema brasileiro de revisão ética: (i) a pouca compreensão da regulamentação em vigor, em especial da Resolução 196/1996 do Conselho Nacional de Saúde e (ii) a inadequação das diretrizes éticas às pesquisas sociais com metodologias qualitativas, em especial as pesquisas etnográficas.
A pergunta de pesquisa de Luna é clara e busca entender "de que modo essas tecnologias incidem sobre o processo de formação do parentesco" (p. 21). Para respondê-la, a autora faz um longo percurso argumentativo, ora histórico, ora de revisão etnográfica comparada. Por ser uma tarefa ambiciosa em diferentes campos temáticos e conceituais, há capítulos que escapam à pergunta inicial da obra, permitindo digressões pela Teologia, História e Filosofia, certamente uma característica da peça argumentativa que originou a obra – a tese de doutoramento da autora. No entanto, o original da argumentação de Luna é sua aproximação etnográfica, em especial pela apresentação das vozes das mulheres que desafiam a própria capacidade de compreensão da autora e de quem as lê. Foram feitas entrevistas com mulheres e profissionais biomédicos dos serviços e, em vários momentos, a autora contrasta a compreensão destes dois grupos sobre o mesmo fenômeno. Há, todavia, um especial apreço de Luna pelas vozes das mulheres em detrimento das dos profissionais.
Uma experiência comum a todas as etnógrafas do segredo é entender porque as mulheres aceitam contar suas histórias. Luna se faz essa pergunta e aposta na hipótese de que há uma catarse confessional das mulheres no ato de ser ouvida. O convite à pesquisa etnográfica, cuja técnica central é a entrevista aberta, seria um ato de cuidado às mulheres. É preciso lembrar que a infertilidade é um tema tabu não apenas no Brasil, mas em inúmeras sociedades complexas e tradicionais onde o tema da infertilidade já foi investigado 8,9. No caso das mulheres entrevistadas por Luna, são mulheres com uma longa trajetória de medicalização da infecundidade: regra geral, a chegada aos centros públicos de referência representa a última chance de reversão da condição de infecundidade involuntária.
É preciso fazer uma diferença entre o diagnóstico médico de infertilidade e a condição sociológica de infecundidade involuntária. Muitas mulheres que buscam o auxílio das tecnologias reprodutivas para ter filhos não possuem doenças ou ao menos não há diagnóstico médico para a ausência de filhos. Há casos em que a doença está em seus companheiros, mas é no corpo das mulheres que a medicalização se expressa. Para a ausência involuntária de filhos sem causa médica de infertilidade há outras alternativas disponíveis antes da medicalização intensa do corpo da mulher: desde a adoção de crianças à substituição do companheiro no projeto reprodutivo. No entanto, essas são alternativas desconsideradas pelas mulheres e profissionais biomédicos entrevistados por Luna. É preciso, no entanto, ter clareza de porque essas mulheres rejeitam outros projetos de filiação que não a reprodução biológica.
Luna tem pretensões de descortinar valores compartilhados sobre parentesco e filiação na sociedade brasileira por meio da pesquisa sobre tecnologias reprodutivas. Certamente a pesquisa com usuárias das tecnologias reprodutivas é uma estratégia eficaz, no entanto, há um viés importante na amostra das participantes da pesquisa. Todas são mulheres intensamente engajadas no projeto de reprodução biológica, ou seja, mulheres cujo sentido da maternidade está na expectativa de vinculação biológica com seus futuros filhos. Assim como outras etnógrafas da infertilidade, Luna não conseguiu ter acesso às mulheres que abandonaram o tratamento ou que jamais o buscaram para realizar o desejo por filhos. O mesmo pode ser dito dos profissionais entrevistados: todos estão comprometidos com a reprodução biológica e apostam na medicalização do desejo por filhos. Ou seja, é importante relativizar em que momento da trajetória reprodutiva das mulheres o encontro etnográfico ocorreu. Suas opiniões sobre o sentido da maternidade, sobre a importância da filiação biológica, ou mesmo sobre o estatuto do embrião e a rejeição ao aborto representam o momento máximo de aposta na maternidade biológica. Um desdobramento possível da pesquisa etnográfica seria entrevistar novamente essas mulheres em outro momento de suas trajetórias reprodutivas.
Há temas que ainda resistem à pesquisa etnográfica no campo das tecnologias reprodutivas. O primeiro deles, e logo no início da obra reconhecido pela autora como uma ausência de pesquisa, são as histórias das mulheres que desistiram do tratamento ou que nunca o procuraram para resolver a condição de infecundidade involuntária. O segundo é conhecer as experiências masculinas na infertilidade. Ainda não sabemos como os homens se comportam ou vivenciam a experiência de ausência involuntária de filhos. Essa, na verdade, caracteriza uma lacuna internacional nos estudos sobre tecnologias reprodutivas: em geral são mulheres pesquisando mulheres. E, por fim, um tema que salta aos olhos nos hospitais públicos pesquisados por Luna e que desafia a compreensão do acesso às tecnologias reprodutivas como uma expressão do direito constitucional à saúde, é porque somente as mulheres em situação de conjugalidade heterossexual podem ter acesso às tecnologias. Nenhum dos hospitais autorizava que mulheres sozinhas ou lésbicas tivessem acesso às tecnologias reprodutivas, uma restrição que acaba por garantir a presença masculina no projeto reprodutivo das mulheres.
Se, de fato, as tecnologias reprodutivas representam uma revolução no campo reprodutivo, esta revolução não deve ser simplesmente tecnológica ao permitir a geração de embriões fora do corpo da mulher. A verdadeira revolução, a que subverterá os padrões hegemônicos de parentesco e filiação, deverá reconhecer a legitimidade do desejo por filhos para todas as mulheres e homens em idade reprodutiva. O desejo por filhos não é exclusivo de homens e mulheres heterossexuais em relações afetivas estáveis, como propõe um dos centros públicos pesquisados por Luna. Sendo verdadeiramente uma extensão do direito à saúde, esse deve ser um serviço acessível a todas as pessoas que desejam filhos.
A infertilidade é o resultado de uma falência orgânica devida à disfunção dos órgãos reprodutores, dos gâmetas ou do concepto. É diferente de esterilidade. Um casal é infértil quando não alcança a gravidez desejada ao fim de um ano de vida sexual contínua sem métodos contraceptivos. A infertilidade pode ser:
1. ao adiamento da idade de concepção;
2. à existência de múltiplos parceiros sexuais;
3. aos hábitos sedentários e de consumo excessivo de gorduras, tabaco, álcool e drogas, bem como aos químicos utilizados nos produtos alimentares e aos libertados na atmosfera.
- feminina;
- masculina;
- feminina e masculina, ou ainda
- sem causa aparente.
Epidemiologia
A infertilidade tem aumentado nos países industrializados devido:1. ao adiamento da idade de concepção;
2. à existência de múltiplos parceiros sexuais;
3. aos hábitos sedentários e de consumo excessivo de gorduras, tabaco, álcool e drogas, bem como aos químicos utilizados nos produtos alimentares e aos libertados na atmosfera.
Infertilidade Feminina
Causas funcionais
- Distúrbios hormonais que impeçam ou dificultem o crescimento e a liberação do óvulo (ovulação)
- Ovário policístico
Causas anatômicas
- Obstrução das tubas uterinas
Infertilidade Masculina
- Diminuição do número de espermatozóides (Oligospermia)
- Pouca mobilidade dos espermatozoides
- Espermatozoides anormais
- Dificuldades na relação sexual
- Varicocele
- Criptoquirdia
Tratamento
Com a evolução da medicina, estão disponíveis atualmente diversos tratamentos para a infertilidade conforme a sua causa. Entre eles, pode-se citar a fertilização in vitro (FIV), inseminação intra-uterina, indução da ovulação. O planejamento familiar é fundamental nesse momento, pois além de auxiliar o casal a alcançar seu objetivo, o profissional de saúde oferecerá apoio e orientações.
Assinar:
Postagens (Atom)


